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A qualidade, a história da marca e a competência do vendedor precisam, cada vez mais, serem revestidas por uma imagem capaz de despertar o desejo de consumir da clientela

Pergunta: o que faz uma pessoa olhar um produto e ter o desejo de levá-lo para casa? Não é uma pergunta fácil de responder, mas todo empreendedor deve pensar nela todos os dias. Partindo daqui, temos a condição de compreender um pouco mais do cognitivo do consumidor moderno, cada vez mais assombrado por sons, imagens – estando elas em movimento ou não.

O que importa aqui é perceber que não dá mais pra ir na base do improviso ao ofertar um produto. Finado Steve Jobs já colocara que estávamos caminhando para um mercado onde a competição por design se tornaria o novo foco. E hoje temos exatamente isso.  Mas será mesmo que sua empresa tem pensado nisso?

Jornalzinhos, cartazes de canetinha e papel jornal 

 Se a gente analisar a linguagem visual dos supermercados por todo o Brasil veremos que existem algumas constantes que pouco se modificaram nos últimos 50 anos. A primeira e mais notável diz respeito a organização de suas gôngolas, o aproveitamento do espaço mas temos também aqueles cartazes escritos com caneta porosa, exibindo números garrafais em vermelho.

 Trata-se de um elemento secular, tradicional, icônico. Do mesmo modo temos os famosos jornalzinhos de ofertas, entregues geralmente na porta do supermercado. As sacolinhas de plástico, recentemente, abolidas, completam a tríade formadora desta estética de consumo moderno.

Mais uma pergunta: é possível mexer neste contexto sem prejudicar a relação de empatia do consumidor médio em relação ao supermercado? Outra pergunta a ser feita é “como repaginar esta estética positivamente?”.

O que é certo é a necessidade de se buscar novas abordagens, experimentar novas linguagens capazes de elevar o valor agregado dos produtos, sem se desvirtuar deste legado responsável por criar um imaginário coletivo sobre o supermercado. Isso porque o ser humano é naturalmente conservador,  precisa sentir parte de um local. Se de uma hora pra outra o supermercado tradicional mudar de estética, uma supresa o acometerá, sucedida por uma sensação de estranhamento de como quem diz “onde eu vou agora pra comprar a carne?”

Mas entre reforçar uma imagem tradicional mas saturada, vinculada a paisagem, que não mais convida ou chama atenção, e buscar uma outra abordagem que dê personalidade a sua loja, é preferível buscar o segundo caminho, mesmo que ocorram inúmeras tentativas e erros no percurso. Temos hoje novas tecnologias pipocando por aí, cada vez mais inclinadas a oferecer uma nova experiência de consumo à clientela, e elas podem e devem lhe ajudar nesta tarefa.

A sua influência na mudança cultural do cliente

É bem possível que o jornalzinho de papel da porta torne-se um arquivo  enviado automaticamente ao tablet do cliente ao passar pela entrada. Não se trata de uma ideia futurista. Com a tecnologia de hoje já é possível. O que falta é você, empreendedor, conquistar sua clientela para conseguir interferir na forma como ela consome.

Temos saído rapidamente de uma época onde os produtos eram embrulhados com jornal para outra,  com embrulhos à vácuo, em bandejas de isopor. Essa mudança tem sido legitimada todos os dias pelo consumidor, que passou a observar a importância da higiene e do aspecto visual daquilo que come.  Tal mudança. no entanto, passou pelas mãos de um empreendedor que teve a visão de inovar. De buscar uma nova maneira de valorizar seus produtos, dando-lhes maior valor agregado e um diferencial mercadológico.

A abolição das sacolinhas no estado de SP abriu a oportunidade para buscar novas alternativas de transporte – algumas comentadas aqui – como também modificar o “visual” das compras do seu cliente.  O que tornam algumas marcas dignas de serem exibidas em sacolas por aí e outras não? Eis a chance de se modificar o jeito positivamente, tornando sua marca em algo agradável de ser carregado.

Em relação aos cartazes de canetinha prevalece a mesma lógica. Tanto tablets como smartphones têm a capacidade de ler códigos de barra. Partindo daí, o consumidor, dentro da loja, pode incluí-lo em uma lista de compras,  consultá-lo em outros estabelecimentos, ler avaliações de outros consumidores sobre o produto. De modo que não adianta mais as letras garrafais em vermelho se o produto for ruim ou o preço  muito alto. Será preciso muito mais daqui por diante.

 A solução é mais informação? 

Iniciei este texto abordando o estado das coisas hoje em dia: estamos sendo inundados por informação a todo ponto que olhamos. Percebo que os estabelecimentos comerciais têm sido influenciados por isso também. Ambientes poluídos visualmente, cheios de chamadas, convites, ao invés de mobilizarem o consumidor, acabam o travando diante de tantas possibilidades.

O consumidor atual não precisa de mais informação. Não adianta colocar uma tela de LCD abaixo da seção de carnes que não vai ser por ela que ele irá comprar este ou aquele corte. Existe algo de errado no caminho que alguns estabelecimentos têm optado para repaginar suas estratégias de oferta.

 Uma sugestão que sempre coloco é tornar a loja em um ambiente confortável, íntimo, mais amigável e menos oportunista. A ganância por vender não pode deixar o consumidor mais ansioso e estressado do que já está.  O seu cliente não precisa de mais coisas piscando  para saber da promoção, do desconto, do brinde. Deixe ele, por si só, descobrir.

É preciso diversificar os canais e saber o que cada um deve fazer, em qual hora e de modo. Não dá pra deixar só a cargo do canal “loja” a divulgação de ofertas, lançamentos, a apresentação de produtos,  a persuasão, a fidelização. Essa atmosfera poluída das lojas apenas demonstra como ela se tornou um canal saturado, sobrecarregado. É preciso investir em criatividade, aproveitando não apenas as redes sociais, o uso do email como também cruzar diferentes formas de mídia, como o uso do celular, aparelho com grandes potencialidades neste quesito mas que tem sido sub-utilizado pela maioria das pessoas.

O que está em jogo é a embalagem que reveste seu estabelecimento. O visual da sua loja e de seus outros canais de relacionamento interfere tanto quanto o visual dos produtos na hora da compra.  Entre ler uma porta de banheiro de rodoviária e uma revista bem diagramada nós, humanos sadios, continuaremos optando pela segunda opção, seja qual tecnologia estiver em voga.

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