Um bom empreendedor precisa ser sensível o bastante para absorver aquilo que a clientela lhe comunica todos os dias para oferecer o inesperado

Como consumidor acho que de um modo geral as abordagens dos vendedores de lojas de sapato têm muito a melhorar. Há muito despreparo, ansiedade, luta por comissionamento e pouca sensibilidade em perceber aquilo que chamo de “consumo invisível” nos clientes.

De todo modo, a intenção é interessante. Você para na vitrine, o vendedor te aborda, você pede para experimentar um determinado calçado, entra na loja, se senta e espera o vendedor chegar com a caixa do sapato que você pediu mais algumas outras opções equivalentes ou que possam estar dentro do gosto

 O consumo invisível diz respeito a essas “outras opções”, e garanto que  não é uma filosofia fácil de entender. Steve Jobs, grande marketeiro, inovador e oportunista, costumava dizer que “o consumidor não sabe de nada”. Segundo ele,  se fossemos depender deles teríamos hoje carruagens motorizadas e não automóveis.

 A tese é interessante, e polêmica, mas tem algum fundo de verdade. O conhecimento do consumidor sobre determinados assuntos é limitado, condicionado muitas vezes ao que a mídia promove. O empreendedor precisa ter ciencia disso para apresentar a novidade, o diferencial, a inovação, superando as expectativas dele.  É o “consumo invisível”, inesperado, capaz de marcar para sempre uma experiência de compra.

Nesse aspecto o vendedor de sapatos tem um trunfo nas mãos. Ele respeita a escolha do consumidor, mas não se rende a ela. Busca entender o gosto dele a partir da escolha de um determinado calçado para tentar expandir o universo dele.  Traz dois ou três modelos compatíveis com o estilo, a a moda, o conforto buscado pelo cliente. Numa dessas o cara acaba levando dois sapatos ao invés de um.

E você, o que faz para conquistar esse ‘consumo invisível’ do seu cliente? Um bom empreendedor precisa ser sensível ao bastante para absorver aquilo que a clientela lhe comunica todos os dias. Não é à toa que as padarias já não são as mesmas, os botecos não renovam sua clientela e as bancas de jornal já não são apenas “bancas de jornal”. O mundo muda, as pessoas mudam e os padrões de consumo mudam, exigindo que os comerciantes busquem novas experiências de oferta em seus estabelecimentos. Quem não participa dessa lógica fica pra trás, parado no tempo. Fica como aquele bar de vila de mesas vermelhas e churrasquinho de gato na calçada.

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