Após algum tempo sem trazer nenhum exemplo popular, eis que a realidade me brinda com um acontecimento digno de ser partilhado neste blog

Um acontecimento que diz muito sobre o compromisso social de micro e pequenos comerciantes, algo que já estava implícito no caso do homem placa, trazido aqui semanas atrás.

Estava eu andando por uma famosa avenida de Osasco quando fui abordado por uma menina com pouco mais de 15 anos, de vestes simples, calçada com um chinelo de dedo, portando um maço de panfletos na mão. Veio do outro lado da rua para me abordar e dizer “tio, você tem um real pra eu comprar um pastel?”. Nisso, ela me deu um dos panfletos dela, era de um famoso comércio da região. Recusei.

- Não tenho agora, estou com pressa.

- Pega aí

- Não

- Pega!

Quis me empurrar o panfleto, não aceitei e fui embora. Aquela cena me deixou chocado. Não apenas pela abordagem dela, como também pelas condições de trabalho (inexistentes) dadas pelo contratante.  Minha intenção também não é vitimizar por completo a garota. O fato é que ela deve ter sido muito mal instruída pelo comerciante, algo que só agrava a falta de bons modos apresentada. Suporte zero a ela reverte-se em perda de imagem ao estabelecimento.

O que poderia ser feito? 

Primeiro de tudo, temos que verificar o quanto essa garota está ganhando para fazer esse serviço. Uma remuneração digna deve contemplar, também, ajuda de custos em alimentação e transporte.  Verifiquemos também se não estamos diante de um caso de trabalho infantil, ainda que eu ache que essa garota deva ter mais de 14 anos.

A abordagem também deveria ter sido pensada. Ainda é um ser humano em formação. Uma conversa breve ajudaria a dar limites a garota, impondo-lhe antes de tudo respeito aos pedestres e compromisso com a tarefa que lhe foi dada. É um caso complexo, que merece um exame mais profundo, pois envolve família, rede de relacionamentos, educação formal e informal, mas a pergunta que deve-se fazer é: no que eu posso colaborar para que ela seja uma pessoa melhor?

Em terceiro lugar, uma vestimenta mais adequada traria outra visão sobre a ação de divulgação. Confeccionar, de repente, uma camiseta em tons pastéis (sem trocadilhos, é que o preto torraria a garota no sol) com o logo do estabelecimento, colocando-a como representante da marca naquele local, poderia dar a ela mais responsabilidade de zelar pelo que faz.

Em quarto lugar, o comerciante infringiu a lei Cidade Limpa de Osasco, pois é proibida a entrega de panfletos em vias públicas às terças-feiras. Segundo a lei,  a distribuição é permita somente  às sextas feiras, sábados, domingos e feriados, e com distribuição direta em casas e imóveis comerciais, obedecidos os critérios técnicos a serem fixados em Decreto regulamentador.

Por fim, em quinto lugar, um panfleto de melhor qualidade, com algum atrativo, não geraria rejeição imediata dos pedestres. Algo que gera também – adivinhe – papel no chão! Eis aqui um problema grave e que não pode ocorrer em ações desse tipo. Emporcalhar a rua, revestindo a calçada com o logotipo de seu estabelecimento, não traz ganho nenhum,  apenas perda de reputação e de imagem com sua comunidade de interesse.

Em resumo, certas ações de divulgação parecem ter um custo-benefício interessante, mas podem ser um verdadeiro tiro no pé. A lei do mínimo esforço não funciona na comunicação. O detalhe faz a diferença, pois é assim que você pode se diferenciar de seu concorrente. A falta de cuidado gera diferenciais também, mas negativos.

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