Muita gente fala em conflito de gerações como se o mundo fosse um aquário e as pessoas fossem peixes beta irreconciliáveis,  Prefiro ver aquilo que os aproximam, e nem é preciso usar uma lupa para observar as semelhanças entre o tempo da caderneta e o dos retwitts

No momento que a gente olha pra trás e vê o mundo dos nossos pais ou avós acreditamos muitas vezes que na “minha época” se conversava mais, que no “meu tempo” os comerciantes eram mais dedicados e gentis, que a vida, em seu todo, era mais quente pois estava estabelecida mais nas relações face-a-face. E de fato é verdade, mas isso não significa que o mundo impessoal das redes sociais não possa representar a mesma essência quando bem utilizadas.

Um empreendedor da “velha guarda” interessado em formar um freguesia deve ter em mente que hoje as relações sociais se organizam de outra maneira,  mas, repito, isso não significa que a modernidade da web 2.0 não possam ser complementadas com o aperto de mão, com o aceno no meio da rua, com a cordialidade de um tapinha nas costas.

Vamos analisar cada possibilidade trazida pela comunicação via Internet e tentar fazer um paralelo com a comunicação à moda antiga:

Orkut: trata-se de uma rede social cujo principal diferencial é a possibilidade de formar comunidades em torno de assuntos dos mais diversos. Além da possibilidade de interagir com essas pessoas “reunidas” em comunidades,  sua interface permite procurar pessoas a partir de critérios como cidade e profissão, adicioná-los, organizá-los em grupos e, posteriormente, enviar mensagens específicas para cada  grupo.

Prós:  O Orkut pode se tornar um local virtual de relacionamento com grupos de interesse. O empreendedor pode “conversar” com esses grupos de maneira menos marketeira e mais humana, buscando de fato um relacionamento

Contras: Está em clara decadência, perdendo popularidade e credibilidade por ser um alvo fácil para Spammers 

Facebook: rede social que privilegia a privacidade, mas oferece ferramentas bastante eficientes para desenvolver a imagem de um empreendimento. Isso pode ser feito a partir do uso das “fan pages”,  criadas para as pessoas ‘”curtirem” e acompanharem futuras atualizações, pela propagação de noticias e/ou mensagens convenientes à busca valores à sua marca e pela divulgação das atualizações do blog da sua empresa.

Prós:  É a bola da vez. Tem crescido rapidamente em número de usuários no Brasil e ganha de lavada do Orkut em credibilidade. A partir do uso das “fan pages” é possível desenvolver ações promocionais capazes de reunir clientes rapidamente, quando bem usadas.

Contras: suas comunidades não emplacam, possui um esquema de privacidade extremamente rígido e, muitas vezes, pouco inteligente.

 Twitter: apesar do caráter social, trata-se de mesmo de um microblog em que a objetividade é o grande trunfo. Trata-se de um ótimo mecanismo de promoção de uma marca, ideal também para profissionais liberais que desejam agregar valores ao seu nome a partir da indicação de bons links e da interação com perfis com interesses afins. Da mesma forma que o Facebook, pode ser extremamente útil para propagar promoções, elaborar enquetes, propor discussões e concursos culturais. A opção de “retwittar” é ótima para manter uma boa relação com os clientes, seja pela propagação de mensagens que agregem valor ao empreendimento (´opinião positiva sobre o atendimento, por exemplo) ou pela observação atenta das necessidades da pessoa. Ao indicar que ela está precisando de “x” produto, o empreendedor pode, na hora, oferecê-lo.

Prós:  ótimo mecanismo reputacional onde a possibilidade de consulta direta a um grande número de pessoas permite a fidelização de clientes e chamar atenção para outros potenciais.

Contras: seguir pessoas sem critério pode poluir a timeline (página onde são exibidas as atualizações) e prejudicar a interatividade com quem realmente interessa.

Linkedin: Rede social excelente para dar maior credibilidade a profissionais liberais e autônomos, pois a partir dela pode-se elaborar uma espécie de currículo público contendo o histórico acadêmico e profissional da pessoa. Para busca de novos clientes e parceiros também funciona muito bem a partir do uso da área dedicada a oferta de empregos, freelancers e afins.

Outra função interessante e a possibilidade de solicitar indicações e/ou testemunhos públicos de clientes que utilizaram seus serviços ou produtos. Serve também como uma central de informações publicadas pela empresa em diferentes redes sociais. Permite também a criação de páginas dedicadas à empresa contendo o histórico, reunindo os colaboradores e os principais clientes em apenas um lugar.

Prós: um verdadeiro cartão de visitas seja qual o for o interesse. A possibilidade de estabelecer parcerias com outras empresas, se bem usada, pode render bons frutos. Gerindo-se bem pode ser um bom mecanismo reputacional e de promoção pessoal.

Contras: ao limitar-se apenas à questão profissional, tende-se a criar uma imagem menos humana, mais “corporaiva”, o que nem sempre é bom quando lidamos com pessoas. Algumas opções de privacidade dificultam a interação com determinados perfis.

Como podemos ver por esse breve análise, as redes sociais guardam um potencial imenso para empreendedores  interessados em ampliar seus horizontes. A preocupação em formar uma freguesia é atemporal e deve ser reajustada conforme o espírito da época. Se hoje as relações estão menos pessoas, há que se buscar novos meios de interagir e ofertar. E as redes sociais representam um novo local de socialização, ainda que não de corpo presente.

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